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Para secadoras que descarregam ar ao exterior, prepare ventilação e exaustão a partir do manual de instalação do modelo exato de secadora e de um projeto que considere todos os equipamentos operando juntos. O memorial deve registrar a origem e a distribuição do ar de reposição, o percurso e a descarga dos dutos, acessos para inspeção e limpeza, interferências e autorizações, responsabilidade técnica e critérios de teste. Aceite a instalação somente depois de conferir vazão ou pressão exigida pelo fabricante, operação simultânea, ausência de refluxo e condição de manutenção. Não copie dimensões de outra máquina: elas variam entre famílias e configurações.
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O que o memorial precisa resolver
Este roteiro se aplica às secadoras com descarga de ar ao exterior. Equipamentos de condensação ou bomba de calor podem ter outro arranjo, que exige análise própria. Nas máquinas com exaustão, o ar transporta umidade e calor; nos modelos a gás, o conjunto também depende das condições de ar de combustão previstas pelo fabricante. A Alliance, por exemplo, explica que a abertura de reposição e o sistema de descarga são dimensionados para modelos e séries específicos. Seu boletim brasileiro da família Small Chassis exige reposição suficiente para o ar descarregado e o manual das séries 120, 170 e 200 apresenta aberturas diferentes por classe de máquina. Esses valores não são intercambiáveis nem representam uma regra geral para secadoras de autosserviço.
O escopo deste guia começa depois que o trajeto do duto e a possibilidade de descarregar no imóvel já foram investigados. Se essa viabilidade ainda está em aberto, consulte o guia Como verificar possibilidade de exaustão no imóvel, que trata do levantamento do percurso, das interferências e das permissões antes de assumir o ponto. Aqui, o objetivo é preparar o projeto e definir como verificar a instalação executada.
Separe ar de reposição, ar da máquina e exaustão
Comece desenhando o caminho do ar em três etapas. Primeiro, identifique de onde vem o ar de reposição e como ele alcança a lavanderia ou cada máquina. Depois, registre a entrada de ar do equipamento e as folgas que não podem ser bloqueadas por paredes, mobiliário, estoque ou outras máquinas. Por fim, desenhe a descarga de ar quente e úmido até o exterior, indicando cada mudança de direção, trecho vertical ou horizontal, passagem por parede, conexão, registro, damper e terminal.
As três etapas estão relacionadas, mas não são a mesma abertura. Uma janela próxima não comprova que exista reposição suficiente; ventilação geral do salão não substitui automaticamente o duto de descarga; e a exaustão da secadora não deve terminar em forro, sótão, chaminé, duto de gás ou espaço fechado. O boletim brasileiro da Alliance orienta que a descarga dos modelos cobertos chegue ao ambiente externo e alerta contra percursos que acumulem fiapos ou gases. O manual da série 120/170/200 também exige descarga externa e alerta que venezianas reduzem a área livre de passagem de ar.
Na planta, identifique o ponto de tomada de ar externo e o terminal de exaustão com posição, altura e obstáculos relevantes. O projetista deve avaliar se o ar extraído pode retornar pela própria tomada, por portas ou por aberturas vizinhas; não basta desenhar duas setas sem verificar a implantação. Registre também se o ambiente tem pouca infiltração natural, portas que costumam ficar fechadas ou outras fontes de calor e extração simultâneas. O manual atual da Alliance manda considerar o efeito de aparelhos com tiragem natural quando várias secadoras operam, mas essa instrução específica precisa ser validada para os aparelhos e a legislação aplicáveis ao projeto.
Especifique cada duto sem copiar números de outro modelo
Para cada secadora, registre o SKU e a revisão do manual, o diâmetro e material de duto admitidos, o comprimento equivalente máximo, a quantidade de curvas, o limite de pressão estática e a posição do terminal externo. Se a configuração admite coletor comum, documente a geometria do coletor, a entrada de cada ramal, os dispositivos contra refluxo e o modo de limpeza. Se o fabricante exige saída individual, represente um percurso separado para cada unidade.
O boletim técnico brasileiro da Alliance para a família Small Chassis, por exemplo, especifica duto, vazão, pressão e área de reposição para as máquinas abrangidas. O mesmo material descreve uma opção de coletor para múltiplas secadoras. Isso é um exemplo da especificidade que o projetista deve buscar; não autoriza aplicar as medidas a uma máquina de outro chassi, de outra capacidade, de outro combustível ou de outra versão. O próprio boletim informa que complementa, mas não substitui, o manual de instalação, operação e manutenção original.
O memorial também precisa detalhar os componentes que alteram a resistência ou dificultam a limpeza: cotovelos, reduções, grelhas, venezianas, telas, filtros secundários, dampers e terminações. A Alliance alerta que filtros adicionais em linha podem aumentar a pressão estática e que juntas salientes podem reter fiapos. Uma solução que pareça conveniente no desenho pode elevar a restrição ou criar um ponto de acúmulo. A decisão sobre usar cada componente deve citar o requisito do modelo e o cálculo do projetista, sem improvisação em obra.
Inclua cortes e detalhes nas travessias de parede, cobertura e áreas não condicionadas. Identifique o método de suporte, os pontos de inspeção, a proteção contra intempéries e a forma de acesso para manutenção. Quando o duto atravessa elementos construtivos, o manual Alliance remete os afastamentos e a abertura às regras locais aplicáveis; portanto, a dimensão da travessia e a proteção contra materiais combustíveis precisam ser resolvidas no projeto específico, não presumidas pelo instalador.
Modelo de memorial de requisitos e validações
| Item do memorial | O que deve constar | Evidência para aceitar |
|---|---|---|
| Equipamentos e premissas | Fabricante, modelo/SKU, combustível, versão do manual, quantidade, posição e cenário de operação simultânea. | Lista conferida com as máquinas compradas e manuais correspondentes. |
| Ar de reposição | Origem, área efetivamente livre, restrições de grelha ou veneziana, distribuição entre máquinas e interferências de outras extrações. | Desenho “como construído” e verificação de fluxo/pressão pelo responsável técnico, conforme o critério definido para o modelo. |
| Rede de exaustão | Diâmetro, material, ramais ou coletor, comprimentos, curvas, suportes, juntas, dampers, pontos de inspeção e limpeza. | Inspeção visual do percurso, medidas e materiais instalados confrontados com projeto e manual. |
| Terminal externo | Coordenada ou fachada, altura, proteção admitida, obstáculos, proximidade da tomada de ar e possibilidade de acesso. | Inspeção externa durante operação, com descarga livre e sem retorno observado no ponto de tomada. |
| Interfaces e autorizações | Travessias, vedação, elementos de fachada/estrutura, condomínio ou proprietário, regras municipais e exigências de segurança contra incêndio aplicáveis. | Aprovações documentadas e detalhes executados aceitos pelos responsáveis por cada interface. |
| Comissionamento e manutenção | Instrumento, local e condição de medição; operação isolada e simultânea; rotina de inspeção, limpeza e responsável. | Relatório datado, resultados dentro dos limites do manual e plano de acesso entregue à operação. |
O memorial deve ser produzido e compatibilizado por profissional com atribuição adequada ao serviço. Em Minas Gerais, o Crea-MG informa que projeto e instalação de sistemas de ventilação e exaustão são atividades de engenharia e orienta o registro de responsabilidade técnica para o serviço. Isso é uma referência jurisdicional, não uma autorização automática para qualquer profissional ou uma regra local para todo o país: verifique atribuições, registro e exigências do conselho competente na região da obra. O Crea-MG descreve a ART como o documento que identifica o responsável técnico por obra ou serviço abrangido pelo Sistema Confea/Crea.
Também faça a compatibilização com arquitetura, estrutura, elétrica e gás, conforme os sistemas que a instalação envolver. O projetista de exaustão não pode presumir que a fachada possa ser perfurada, que a cobertura aceite uma nova descarga ou que a capacidade de ar esteja disponível. Cada interferência deve ter responsável, desenho e aprovação identificados.
Teste o sistema instalado com as máquinas em operação
Antes de liberar a lavanderia, faça uma vistoria do percurso completo: bocais conectados, juntas firmes, dutos apoiados, sem esmagamento, obstruções ou materiais incompatíveis com o manual; dampers na direção prevista; acessos de inspeção alcançáveis; e terminais externos sem bloqueio. Fotografe trechos que ficarão escondidos antes de fechar forros ou shafts. Registre desvios de obra e a solução aprovada pelo projetista, não apenas uma declaração de que “está funcionando”.
O plano de comissionamento precisa dizer de antemão o que será medido, com qual instrumento, em que ponto e sob qual condição. Se o manual define limite de pressão estática, vazão, área livre ou outro critério, use esse critério e identifique a edição do documento. Não use o valor de um boletim de outra família como limite de aceite. A referência brasileira da Alliance para Small Chassis, por exemplo, descreve uma condição de medição de pressão próxima ao equipamento e pede que, em instalação com coletor, todas as secadoras conectadas estejam funcionando no momento da medição. Essa instrução só vale para o escopo do boletim e deve ser cotejada com o IOM da máquina instalada.
Inclua no plano os ensaios individuais e o cenário simultâneo previsto para a operação, na sequência definida pelo responsável técnico e pelo manual. O segundo ensaio revela se a entrada de ar compartilhada ou o coletor perde desempenho quando as unidades trabalham juntas. Confirme a descarga no exterior, ausência de retorno perceptível na tomada, alarmes ou desligamentos e estabilidade conforme os limites definidos pelo fabricante. O teste visual de uma tira de papel ou a sensação de ar na saída não substitui a medição técnica quando o manual estabelece grandezas instrumentais.
Entregue relatório com data, modelos e números de série, condições do teste, instrumentos e identificação, leituras, fotos, não conformidades, correções e assinatura dos responsáveis. Se o teste reprovar, a instalação não está aceita: localize a causa — restrição no duto, reposição insuficiente, terminal bloqueado, ramal desequilibrado ou outra divergência — e repita o ensaio após a correção.
Desenhe a manutenção junto com o sistema
Fiapos fazem parte do processo e podem se acumular onde o ar perde velocidade ou encontra saliências. Por isso, cada ponto que precisa de inspeção deve continuar acessível depois da instalação de prateleiras, forro, luminárias e comunicação visual. Marque no desenho tampas de limpeza, trechos removíveis, equipamentos de acesso e o percurso necessário para uma equipe alcançar os componentes. Uma tampa escondida ou um duto sem acesso transforma a limpeza prevista no manual em intervenção difícil de programar.
O manual e o boletim aplicáveis devem orientar periodicidade, método e responsável pela limpeza; não há intervalo universal que sirva para toda instalação. Crie um registro simples de execução e de ocorrências: redução de secagem, bloqueio no terminal, vibração, ruído diferente, retorno de ar ou desligamento por proteção. Esses sinais pedem inspeção por profissional, não a retirada de telas ou a desativação de sensores para manter a máquina ligada.
Inclua na passagem de operação o mapa “como construído”, os manuais do SKU, o relatório de comissionamento, as autorizações obtidas, a rotina de inspeção e os contatos de manutenção. Se mudar o número de secadoras, instalar filtro, alongar o percurso, deslocar terminal ou fechar uma entrada de ar, reavalie o projeto antes da alteração. O desempenho depende do conjunto montado e da manutenção que consegue ser feita ao longo da operação.
Decida com base em documentos, medição e responsabilidade
Se falta manual do SKU nacional, limite de pressão, regra de coletor, autorização de fachada ou critério de teste, registre essa lacuna como bloqueio técnico para a decisão correspondente. Não a substitua por medidas de um equipamento parecido ou pela experiência informal de uma instalação anterior. A equipe pode avançar em tarefas independentes, como levantar interferências e preparar desenhos preliminares, mas o dimensionamento final e o aceite dependem da informação e da validação que faltam.
Perguntas frequentes
Toda secadora precisa de duto de exaustão para o exterior?
Não é uma regra para toda tecnologia de secagem. Este guia trata de equipamentos com descarga ao exterior, como as famílias Alliance documentadas. Modelos de condensação ou bomba de calor podem ter requisitos distintos. Identifique a tecnologia e o manual antes de definir dutos, ventilação do ambiente ou descarte de condensado.
Posso usar as mesmas medidas de duto em todas as secadoras?
Não. Diâmetro, comprimento, curvas, pressão e reposição de ar dependem do modelo, da configuração e da instalação. Use o manual correspondente ao SKU e valide o dimensionamento no projeto.
Um duto coletor pode atender várias secadoras?
Só quando o fabricante admite essa configuração e o projeto dimensiona ramais, coletor, proteção contra refluxo, reposição de ar e limpeza. Alguns documentos Alliance descrevem coletores para famílias determinadas; isso não torna a solução válida para qualquer equipamento.
Abrir uma janela resolve a reposição de ar?
Não é possível concluir apenas pela existência da janela. É necessário verificar a área livre efetiva, restrições, distribuição do ar entre as máquinas e o cenário simultâneo de operação, de acordo com o manual e o cálculo do projeto.
Como comprovar que a exaustão está adequada?
Compare o executado com o projeto, inspecione percurso e terminal e faça as medições indicadas pelo fabricante com instrumentos e condições registrados. Teste também o conjunto simultâneo previsto quando houver ramais ou reposição compartilhados.
Fontes e método
Análise documental com fontes indicadas abaixo. Não representa ensaio independente, vistoria de endereço ou cotação fechada. A SPL indica fornecedores e pode ter relação comercial com as ofertas indicadas.
- Alliance do Brasil — Boletim técnico de exaustão de ar quente das secadoras Small ChassisConsulta: 2026-10-22
- Alliance Laundry Systems — Tumble Dryers, Installation/Operation Manual, Part No. 70686901ENR6 (séries 120, 170 e 200)Consulta: 2026-10-22
- Crea-MG — Perguntas frequentes da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e MetalurgiaConsulta: 2026-10-22
- Crea-MG — ART: Anotação de Responsabilidade TécnicaConsulta: 2026-10-22



